O que nos torna psicanalistas?

Este estava sendo meu questionamento desde os últimos semestres da faculdade de psicologia. Eu entendo que esse processo começa na nossa análise. Antes de escutar uma pessoa, precisamos nos escutar. Escutar nossas dores, resistências, medos, angústias, invejas, tristezas, alegrias. Olhar para a nossa história.

Me recordo do dia em que passei na seleção do SAPP na PUCRS para o núcleo de Psicanálise. Lembro de que foi um marco, porque sempre achei difícil as leituras e as escritas nas disciplinas de psicanálise. Mas lembro também que foi libertador saber que nunca saberemos algo por completo, sempre vai faltar e que bom! Porque isso nos move a estudar mais e nos move a ver nosso processo de crescimento. Assim como nossa análise, vamos compreendendo conforme também avançamos nela. Assim como uma criança não aprende a ler de uma hora para outra, assim é esse processo de se construir como psicólogos psicanalistas.

Mas há um compromisso ético nesse processo que é estarmos em análise, supervisão e estudando sempre! E mesmo não estando em alguma instituição podemos já ir percorrendo esse caminho. O começo da clínica psicanalítica não é fácil. Não começa com 20 pacientes! Esse espaço psíquico precisa ser construído a cada paciente, a cada história. Tudo precisa de um tempo que não é cronológico! 

E assim também foi a minha espera para entrar numa instituição psicanalítica. Não existe uma regra capitalista de que precisamos fazer isso e que precisa ser naquela instituição em específico. Não é ter mais um “diploma”, uma formatação! Mas é a existência de um desejo de seguir estudando e em rede. Não foi um processo fácil, foram 5 entrevistas desde que comecei esse processo. E ter passado neste ano não quer dizer que fui melhor do que os que não passaram, mas que talvez nesse momento fez sentido. Lembro que em uma das entrevistas falei uma palavra que nem eu entendi. Mas falei da palavra esforçada! E penso que (Ex) Forçada talvez possa ser melhor, acho que nada vem da força que colocamos, não adianta empurrar uma porta se ainda não está na hora de abrirmos. Mas claro, escrever aqui é algo lindo, na prática sabemos que não é tão fácil essa espera.

Acredito que nos depararmos com os vazios nos faz muitas vezes preencher espaços para não precisarmos nos contatar com os mais difíceis sentimentos! Mas já não é de hoje que sabemos que nada nos dá garantias na vida. A vida é um eterno devir (como já dizia Nietzsche). Escolher a instituição, esperar o tempo que precisar para entrar, tudo vai fazendo sentido quando paramos para nos escutar. E é assim que escolho o meu “CEP” para seguir esse percurso psicanalítico. Embarco em mais uma aventura de muito estudo e dedicação na 40a turma do CEPdePA. Me dou por conta que nascemos no mesmo ano, pois ano que vem também faço 40 anos. E assim vamos percebendo essas identificações, essas simbologias da vida!

Muito feliz em poder fazer parte dessa turma! Obrigada, CEPdePA! Seguiremos pensando juntos!


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